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Para entendermos um pouco sobre a saúde mental, como mantê-la saudável, como manter o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, conversamos com o Dr. Luciano Vianelli, especialista titulado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, tem formação em psicanálise, com mais de 30 anos de experiência na área forense, viveu muito pelos tribunais de São Paulo.
Nesta entrevista, ele compartilha sua trajetória na medicina, fala sobre os desafios enfrentados pelos médicos plantonistas durante sua carreira e oferece insights valiosos sobre a importância do autocuidado e da busca por apoio na área de saúde mental.
O Dr. Luciano Vianelli, é um médico psiquiatra graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 1988. Sua jornada na medicina começou com um profundo desejo de cuidar das pessoas e uma curiosidade própria em compreender melhor a natureza humana.
Optou pela psiquiatria como sua especialização, enxergando nela uma oportunidade única de aprofundamento no ser humano e seus aspectos mais complexos. Além disso, ele possui formação em psicanálise e uma especialização em Gestão em Saúde, o que o torna um profissional multidisciplinar.
A rotina de trabalho de um médico plantonista é notoriamente desafiadora. Os horários irregulares, a pressão frequente e a responsabilidade de salvar vidas podem afetar a sua própria saúde mental.
Os médicos por muitas vezes se sentem pressionados a manter um padrão de vida idealizado, como consequência, não priorizando o tempo pro seu autocuidado.
A privação do sono, o receio de falhar com os pacientes e a baixa remuneração são fatores que contribuem para o seu estresse.
Acreditamos que o melhor caminho seja onde os médicos plantonistas, aprendam a trabalhar dentro de suas possibilidades e limitações.
Isso é, priorizando o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, o entendimento de suas dores e frustrações são essenciais para o equilíbrio da sua saúde mental.
A Síndrome de Burnout é uma realidade frequente na vida dos médicos plantonistas. Para quem não a conhece, Síndrome de Burnout também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, é um distúrbio emocional que resulta em um estado de exaustão física, emocional e mental.
Normalmente acontece por conta de um prolongado período de estresse no ambiente de trabalho, ou de demandas que contém uma grande competitividade ou muitas responsabilidades, que acabam criando um ambiente de pressão constante.
Isso é algo que pode afetar qualquer pessoa, mas no caso dos médicos plantonistas, essa realidade se torna ainda mais recorrente.
O cenário que enfrentam na maior parte dos dias trazem pressões intensas ao cuidado de seus pacientes, onde pensamentos constantes como "preciso salvar essa vida", "devo ser um bom profissional " e "não posso cometer erros" ocorrem o tempo todo, algumas vezes isso vem do hospital, e essa carga de responsabilidade frequentemente causa um esgotamento, com pensamentos precisos de que talvez não seja possível lidar com tudo isso.
Os sintomas geralmente começam de forma leve e menos frequente, o que leva muitas pessoas a não perceberem o que de fato está acontecendo.
Elas podem acreditar que se trata de sintomas passageiros e de curta duração. No entanto, esses sintomas não costumam ser breves, e sem a busca por ajuda adequada, eles têm o potencial de piorar com o tempo.
O Dr. Vianelli, menciona que até 75% dos médicos podem sofrer com o Burnout em algum momento de suas carreiras.
Ele destaca a importância da conscientização e da organização dos serviços de saúde por parte dos gestores, a fim de prevenir o agravamento desses quadros, principalmente pela maior convivência dos médicos plantonistas ser dentro dos hospitais. A percepção dos sintomas no início e o acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, eleva a qualidade de vida, consequentemente amplia a qualidade da sua prática dentro dos hospitais com seus pacientes e colegas de trabalho.
É comum que médicos, como qualquer outra pessoa, enfrentem resistência ao buscar ajuda para questões de saúde mental devido ao estigma social que ainda existe em torno desse tema.
A demora na identificação e no reconhecimento dos sintomas é um fator que frequentemente agrava as doenças mentais, além disso, receios ligados a buscar apoio se manifestam de diversas formas.
Em muitos casos, os médicos plantonistas enfrentam uma pressão significativa para serem reconhecidos como profissionais fortes e resilientes, o que pode tornar a busca por ajuda uma perspectiva intimidadora, uma vez que a vulnerabilidade pode ser interpretada como fraqueza.
Outra preocupação comum está relacionada ao impacto na carreira. Médicos plantonistas, muitas vezes temem que buscar assistência para sua saúde mental, possa ter repercussões negativas em seu trabalho, incluindo restrições em suas práticas médicas ou outras consequências profissionais, como o afastamento total do trabalho.
As próprias demandas e pressões que enfrentam como médicos plantonistas podem dificultar o reconhecimento de problemas de saúde mental e, consequentemente, a busca por ajuda.
O Dr. Vianelli, acredita que a solução começa na formação médica, onde os professores devem ser capacitados para lidar de forma adequada com questões relacionadas à saúde mental.
Enfatiza sobre a importância de flexibilizar a ideia de que os médicos são onipotentes e encorajá-los a pensar na resolução de problemas.
Identificar sintomas como ansiedade, insônia e desinteresse por atividades prazerosas é fundamental para intervir antes que os problemas se agravem.
O Dr. Vianelli, destaca que o acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, que são profissionais especializados, é a melhor abordagem para processar essas experiências.
No entanto, ele ressalta a importância de uma revisão rigorosa na formação acadêmica dos médicos, ou seja, ele diz que é necessário que os educadores estimulem os estudantes de medicina a pensarem sobre a vida e a realidade que vão se deparar fora da Universidade, incentivando uma compreensão mais holística do ser humano.
A jornada irregular de trabalho pode afetar o tempo disponível para estudo, o que, por sua vez, pode impactar a saúde mental dos médicos plantonistas.
Reconhece que, à medida que as demandas da vida aumentam, o estudo e o crescimento profissional podem deixar de ser prioridades.
No entanto, ele enfatiza que a especialização e a atualização contínua são essenciais para se manter resiliente diante dos desafios da profissão.
Parar de estudar ou parar de praticar não é uma opção, portanto, é importante estabelecer um planejamento e organizar a rotina de forma que haja um equilíbrio constante entre esses aspectos.
Sabemos que nem tudo o que está nos livros oferece os fundamentos necessários para lidar com as situações do dia a dia, dessa forma, é importante entendermos que a prática é fundamental para aprender sobre a realidade dos casos, bem como para desenvolver a habilidade de lidar com as pessoas, com os seus problemas e suas doenças.
A mesma coisa pensando nos seus estudos, o livro não deixa de ser uma prioridade, já que nele está toda a base de conhecimento que você precisa, tanto para iniciar sua carreira médica, quanto para mantê-la sempre alinhada e prazerosa com o seu cotidiano.
Utiliza-lo com a prática é essencial para o seu aprendizado e desenvolvimento. Os dois trabalham juntos, por isso é importante mantê-los sempre unidos.
Por outro lado, não podemos esquecer do mais essencial, a sua saúde mental.
Como médico plantonista as vezes é difícil reconhecer que precisa se cuidar, nada irá funcionar se a sua saúde mental estiver totalmente esgotada, e por trás existe uma grande pressão, que por muitas vezes estabeleceram e esqueceram de direcionar qual é o melhor caminho a seguir.
Além do acompanhamento com os especialistas corretos, é sem dúvidas de extrema importância a prática de exercícios físicos, boa alimentação, tirar momentos para o descanso correto, priorizar leituras que tenham o foco em outros temas, assuntos que você goste, e sempre lembrar do porquê escolheu seguir a carreira que escolheu, a resposta sempre vem de maneira positiva.
O Dr. Vianelli compartilha seu próprio exemplo de autocuidado. Ele destaca a importância de manter uma boa alimentação, praticar atividades físicas regularmente e otimizar o tempo nas redes sociais. Além disso, ele encontra prazer na leitura de literatura, em viagens e em seu hobby, o futebol.
Em suas palavras, o Dr. Vianelli, enfatiza que o crescimento profissional é prazeroso quando é possível desfrutar dos momentos importantes da vida. Ele compartilha fases em sua vida que tiveram impacto em sua saúde mental, como por exemplo a perda de entes queridos, o que na maioria das vezes não é fácil de lidar, mas aceitação é o começo para que o tempo alivie a dor, e assim destacando a importância de encontrar sempre um equilíbrio.
Como mensagem final, o Dr. Luciano Vianelli oferece um conselho valioso aos médicos plantonistas:
"Não estudem ou leiam apenas sobre medicina. A mente necessita diversificar suas experiências. Salvem vidas, mas antes vivam a vida."
Junto com o Dr. Vianelli, mergulhamos profundamente nos desafios enfrentados pelos médicos plantonistas, exploramos estratégias essenciais para promover uma melhor saúde mental e destacamos a importância de colocar o autocuidado como prioridade. A trajetória e as perspectivas autênticas do Dr. Vianelli lançam uma luz sobre um aspecto muitas vezes negligenciado na profissão médica.
Enquanto esses profissionais enfrentam turnos exaustivos, lidam com situações delicadas e cuidam de pacientes que necessitam de apoio, até mesmo em relação à saúde mental, isso nos faz lembrar da necessidade de também preservarem um tempo para cuidar de si mesmos e desfrutar de grandes momentos durante a vida.
Seja qual for a área da medicina que você escolher seguir, a saúde mental e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal são partes fundamentais para sua própria jornada e bem-estar. A mensagem do Dr. Luciano Vianelli nos inspira a adotar uma abordagem mais humana e racional em relação à nossa própria saúde mental e ao nosso crescimento profissional, reconhecendo que, para cuidar bem dos outros, também devemos cuidar de nós mesmos.
Sou médico psiquiatra, graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 1988 e especialista titulado pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Tenho formação em psicanálise, especialização em Gestão em Saúde pela FGV, além de atuar como psiquiatra forense por mais de 30 anos nos tribunais de São Paulo.
Principalmente o desejo de cuidar e uma curiosidade sempre presente de conhecer melhor as pessoas. A psiquiatria é uma especialidade única como oportunidade de um aprofundamento naquilo que o ser humano tem de mais belo na sua natureza.
Perguntas sobre o tema saúde mental:
O médico está preso a uma cobrança social de permanecer numa posição onipotente de salvar vidas e manter um padrão de vida idealizado, mas em prejuízo de um tempo precioso para entrar em contato consigo mesmo. Como se fosse algo esperado da condição social ou familiar na qual ele está inserido. A privação do sono, o receio de falhar com o paciente e a baixa remuneração, aliadas ao grande volume de atendimentos muitas vezes em ambientes de assistência precária são fatores que predispõem a um esgotamento mental. Trabalhar dentro de suas possibilidades e limitações e conciliar o seu tempo com atividades físicas e de conhecimento fora de sua área de atuação são estratégias importantes para lidar com o estresse da profissão.
Sim, a Síndrome de Burnout, também conhecida como estado de esgotamento emocional, é a condição mental mais frequente nos médicos, principalmente nos que trabalham em serviços médicos de emergências. Existem trabalhos que citam até 75% dos médicos padecendo desses quadros. Está associada a situações de pressão e alta demanda da carga de trabalho atrelada ao não reconhecimento e recompensa pelos resultados. Frequentemente esses quadros se agravam com sintomas depressivos e ansiosos incapacitantes, pensamentos suicidas, além do abuso de álcool e outras substâncias. A melhor forma de prevenir esses quadros reside na conscientização e uma melhor organização dos serviços de saúde por parte dos gestores, sem desconsiderar os aspectos individuais de cada profissional.
Penso que uma resposta adequada para isso está na formação médica nas universidades. Uma melhor capacitação dos professores para lidarem de forma mais adequada com as interfaces entre a mente e o corpo. Há uma tendência a enxergar apenas o corpo doente, e não o ser humano na sua essência. As barreiras a serem superadas residem na flexibilização da onipotência do médico, estimulando-o cada vez mais a pensar sobre a resolução de problemas. Não podem ser confundidos como super-heróis de serviços de saúde falidos, ou que muitas vezes visam somente o lucro. Os sintomas de ansiedade, insônia e desinteresse para as atividades que geram prazer são os mais alarmantes.
O acompanhamento psicoterápico por profissionais habilitados ainda é a melhor proposta para a prevenção do agravamento dos sintomas mentais. Mas reitero, antes disso devemos pensar em uma revisão rigorosa da formação acadêmica. É necessário que os educadores estimulem os estudantes de medicina a pensarem sobre a vida e a realidade que vão se deparar fora da Universidade. Temo que isso se agrave com a desregulação da proliferação de escolas médicas cada vez mais sedentas de uma demanda de mercado.
Sim. Os médicos precisam trabalhar muito enquanto se especializam, principalmente aqueles não oriundos de famílias abastardas. A vida vem se tornando cada vez mais cara e competitiva. Nesse sentido, o médico vai percebendo a concretização de seus ideais cada vez mais distante. Normalmente, em razão das exigências da vida, o estudo e o crescimento profissional vão deixando de ser uma prioridade, principalmente com aqueles profissionais com uma maior suscetibilidade a desenvolverem quadros ansiosos e depressivos. A especialização e a atualização contínua ainda são o melhor remédio contra a submissão ao mercado.
Boa alimentação, leitura (literatura), atividade física regular, otimização do meu tempo nas redes sociais, viagens e praticar um hobby, no meu caso o futebol.
Crescimento profissional é prazeroso quando você pode usufruir das coisas belas da vida.
De forma positiva, minha análise pessoal, conhecer uma grande mulher, ser pai e escrever o meu primeiro romance. De forma negativa, a perda de entes queridos.
Não estudem ou leiam apenas sobre medicina. A mente necessita diversificar as suas experiências. Salvem vidas, mas antes vivam a vida.
Agradecemos a oportunidade de ter conversado com esse grande médico, Dr. Luciano Vianelli, e de ter explorado todas essas perspectivas e estratégias valiosas, especialmente no que se refere a estabilidade emocional e saúde mental dos médicos plantonistas.
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